Direito: minhas primeiras impressões ♥ Parte II

DSCF8522Passando o primeiro período, um semestre de muitas mudanças e adaptação, chega o segundo e não somos mais “bixos”, somos v e t e r a n o s. Não que isso mude muita coisa, mas, como a gente diz aqui no Ceará: dá uma moral!

Cursei as 6 disciplinas obrigatórias da grade. Tive Sociologia e Antropologia Jurídica que, para mim, foi a disciplina mais puxada do semestre. Pasmem! Exige muita, muita, muita leitura. Você provavelmente vai gastar muito marca texto com ela. A professora era bem rígida e cobrava muito da turma. Era uma disciplina de 4 créditos/72h, então a professora dividiu em duas partes: primeiro nós estudamos os antropólogos e depois os sociólogos. Tive contato com as obras da Thaís Luzia Colaço, com Marx, Foucault, Engels, Weber, Durkheim, Hegel, DaMatta  e vários outros.

Também tive História do Direito. O título é auto-explicativo, a disciplina vai tratar desde o surgimento do Direito até como ele se encontra atualmente. Ela vem de uma dimensão mundial até a realidade brasileira. Gostei muito, porque você entende como as coisas foram acontecendo e como os direitos foram conquistados através do tempo. Tem bastante leitura também, mas acho uma matéria bem leve e divertida de estudar se você gosta de História.

Falei no primeiro post que Leitura e Produção Textual era uma preparação para Linguagem Jurídica, lembram? Pois então! Em LPT, a gente “desenferruja” o português para poder estudar com todo gás Linguagem Jurídica, que não é nada muito além de português técnico. São nas aulas de LJ que nos é apresentado formalmente as expressões e os brocardos jurídicos. Você não vai aprender Latim, mas vai conhecer o básico e usá-lo frequentemente. Foi nessa disciplina que tive o primeiro contato com as peças processuais. Aprendi a escrever um parecer, a tão famosa petição inicial e entendi o que é e para que existe habeas corpus. Em Linguagem Jurídica, além do que a disciplina deve oferecer, temos o primeiro contato com processo. Por isso, meu conselho para quem ainda vai cursá-la é: faça TODAS as atividades que o professor passar. Valendo ponto ou não. Mesmo não sabendo por onde começar, tente. Não use esses modelos da internet, eu acho muito pouco autoral e, no final das contas, você não está fazendo muita coisa além de “copiar e colar”. No Direito primeiro você apanha, se desespera, acha que não dá para dissertar sobre tal assunto ou que tal caso não tem como ser resolvido e é aí que o fantástico acontece: você se pega escrevendo umas teses que vão te fazer pensar “nossa! Certeza que o juiz decidiria favorável ao meu cliente”. Persistência é o segredo, amigos. Faz parte do processo criativo/educacional. O crescimento é visível e isso vai te ajudar muito não só na faculdade, mas nos estágios. Sem contar que te dá uma boa base para cursar as cadeiras de processo.

Também cursei Direito Humanos. Cresci demais nessa cadeira. Foi a primeira vez que saí da faculdade e fui a campo pesquisar. Mas isso é assunto para outro post. Em DH eu entendi, obviamente, o que são Direitos Humanos, como eles estão “organizados” e quais são os meios de proteção dos mesmos. Se você gostar de Política Internacional/Direito Internacional como eu gosto, vai ser amor a primeira vista. Tem um pouco de Constitucional e História na disciplina. Minha professora trabalhou, um por um, os casos do Brasil no Sistema Interamericano de Direitos Humanos – os que foram só até a Comissão e todos os que chegaram a Corte. Estudei as estruturas dos órgãos internacionais de proteção dos Direitos Humanos e, juro para vocês, muita coisa passou a fazer sentido. Aproveitando a oportunidade, acho que essa é um das sensações mais fantásticas que o Direito possibilita aos seus acadêmicos: a de entender como o mundo funciona. Tudo passa a fazer sentido, a gente passa a entender as notícias que antes era um pouco confusas, a TV Justiça e a TV Senado não são mais canais que você passa direto, você assiste, concorda e até ri de alguns posicionamentos porque são contrários a sua posição doutrinária. Você entende.

Teve Direito Civil I, que é a disciplina que explora a parte geral do Código Civil. A impressão que eu tenho é a seguinte: Civil I é Conceitos Jurídicos Fundamentais aprofundado, detalhado e expandido. Para quem não sabe, Direito Civil é um ramo do Direito Privado. Direito Civil vai abordar contratos, falência, sucessão, questões de família etc. Por isso tem Direito Civil I, II, III, IV… E por aí vai. Deem atenção ao código, mas não esqueçam da doutrina. São muitos detalhes, então é uma disciplina que requer muita atenção.

Por último, porém não menos importante, a minha queridinha, a que faz o meu coração bater mais forte (Haha!): Direito Penal I – Teoria do Crime. ❤ Que disciplina, amigos! De longe, sem dúvidas, a mais cativante e a melhor de se estudar. Difícil? Bastante. Diferente de Direito Civil, – e os amantes da área cível que me perdoem – o Direito Penal é mais… prático. Requer, sim, muito conhecimento teórico, mas você consegue sentir mais… adrenalina. Direito Penal é um ramo do Direito Público e lida com a esfera criminal. Nessa cadeira eu aprendi, basicamente, sobre os elementos do crime, sobre os erros do crime, a quem e quando se pode imputar uma responsabilidade penal etc. Se você não cursou nada de Penal ainda, não deve estar entendendo 90% do que eu estou falando. Não se preocupe, é assim mesmo. A gente assiste aula e continua não entendendo. Por isso é essencial a leitura da doutrina e as tentativas de interpretação da lei seca. Sim, eu disse “tentativaS” porque ninguém entende lendo uma só vez. A relação dos alunos com DP é 8 ou 80. Ou você ama ou você odeia. Eu fico no primeiro time.

Quando entrei de férias do segundo semestre e voltei para casa, já dava até pitaco em casos alheios, porque eu já entendia de alguma coisa. Aliás, se você faz ou pretende fazer Direito, acostume-se: vai aparecer gente de todo canto, com problemas de todo jeito, pedindo sua opinião e perguntando se você já não pode resolvê-los. Ficar com cara de tacho porque não sabe de alguma coisa é super comum, não fique se achando burro – eu ficava, no começo, hoje tô de boas. Haha!

Qualquer dúvida, me escrevam! Pode ser nos comentários, na page, por e-mail (thaisdnj@hotmail.com). Prometo responder.

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