Quase.

IMG_20150621_170336Quase hora de colocar a mochila nas costas e voltar para cidade grande, tudo isso para ver se algum dia sou grande também. Na mochila, além das roupas e livros, alguns sonhos muito antigos, outros nem tanto e espaço para novos que estão por vir. A esperança volta renovada, a garra triplicada. Tanta vontade de fazer melhor, de fazer diferente, de ser mais, de não ser só mais uma na multidão, de ajudar alguém, deixar-se ser ajudada. Vontade de ser grande: grande pessoa, grande amiga, grande exemplo. Só não quero ser grande decepção, nem minha e nem de ninguém.

Quase 20 e eu não sei por onde vou. Sei de onde vim e onde quero chegar. Onde vou a Deus pertence, porque é futuro e vocês bem sabem do ditado. Sei de mim, dos meus desejos, das minhas neuras, incoerências, da minha dor na base da coluna que não passa nunca, do refluxo mal curado, da descompensação postural, da impaciência, da mania (infeliz!) de querer abraçar o mundo com as pernas. Dos outros não sei nada, mas desconfio de muita coisa.

Quase mulher e poucas paixões para conta (as fictícias e as platônicas não contam, não é?). A lista etílica nem existe, não gosto, apesar de achar chique. As baladas morrem nos famosos “vamos combinar!”. Até me empolgo, mas quando penso em como funciona concluo logo que não é lugar para mim. Acho que sou muito mais feliz numa segunda ensolarada, logo após uma aula de Civil chatíssima sobre vícios redibitórios, ao redor de uma mesa que só acomoda quatro pessoas, espremida entre 10 amigos, conversando sobre coisas muito sérias ou coisas não tão sérias assim, onde o riso é velho convidado e se faz sempre presente. As loucuras não são loucuras. O máximo que já fiz foi fugir de casa quando criança. As fraturas são poucas e nenhuma exposta: todas da alma. Ainda bem. Os machucados já se exibem em uma lista compridinha, mas é que caí muito aprendendo a andar de bicicleta. Ah, os que exibo no rosto foi a vida quem me deu: vezenquando ela sabe bater forte.

Quase adulta e sempre que posso ainda levanto as quatro da manhã, corro para cama dos meus pais e aceito ser coberta ao som de um “minha bebê tá com frio?”, confirmo com a cabeça e me encolho em posição fetal, sentindo o cheirinho de lar. Vou ter quase 30 e continuar indo para cama dos meus pais às 4 da manhã, porque ninguém é de ferro. E por não ser de ferro é que nas vésperas da vida adulta eu me permito ser novamente criança: cada vez mais sincera, procurando inocência onde só se nota maldade, sorrindo para o estranho na fila do banco, do supermercado, no ônibus, na rua, no carro ao lado parado no sinal, sendo curiosa, procurando sempre aprender. Decidi que quando crescer quero ser criança. Por enquanto ainda sou apenas alguns “quases”.

T. ❤

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2 comentários sobre “Quase.

  1. Leandro Braga disse:

    É manhã recém-nascida e daqui a poucas horas se dará o início de minha grande aventura. Primeiro dia de faculdade, primeiro ônibus sem um conhecido me guiando, primeira vez sozinho em um lugar que ainda não conheço, talvez o primeiro alguma coisa que nem ainda sei o que é. Estou curioso pra saber o que há lá nessa terra dos adultos desde que o avião pousou. E lendo suas palavras passo a ter um ideia ainda maior de que a vida sempre será uma aventura; mas não há mapas, quem te guia é a sua essência. E que a saudade dói latejada, é tão recorrente que se torna os poucos um apêndice, esperando pra ser retirado. E que sua casa sempre será sua casa, mesmo não morando mais lá.
    Agora, vamos aos quases.

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