Direito: minhas primeiras impressões ♥ Parte I

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Desde que eu entrei na faculdade, sabe-se lá o porquê, um número significativo de pessoas me procura para esclarecer algumas dúvidas sobre o curso de Direito. É amigo, é amigo de amigo, é primo, é namorada de primo, é desconhecido que ouviu falar de mim através de uma tia, gente que lê o blog e por aí vai. Baseada nisso e levando em consideração que o blog tem como finalidade, também, expor informações que venham a ser úteis, eu resolvi trazer as minhas primeiras impressões sobre o curso.

Primeiro semestre ou como a gente carinhosamente chama lá na FFB, S1:

O primeiro período do curso de Direito – pelo menos na minha faculdade e nas que eu tenho conhecimento – é essencialmente introdutório. O que isso significa? Significa que você vai cursar disciplinas básicas como Filosofia, Antropologia e Sociologia. E não, nada de muito novo, para falar a verdade. Você vai ler Aristóteles, Platão, Tomás de Aquino, Marx, Foucault, Sócrates, Hobbes, Rousseau etc. Todos já são velhos conhecidos nossos lá do ensino médio, pelo menos assim espero. Eu tive Sociologia e Antropologia no segundo semestre, mas os detalhes desse ficam para a segunda parte do post. No meu caso, o primeiro contato com Direito propriamente dito foi nas disciplinas de Ciência Política e Teoria do Estado e Organização Institucional do Estado. A impressão que você tem, inicialmente, é que está estudando um Constitucional basicão. E, de certa forma, é isso mesmo. São nessas disciplinas que nós temos o primeiro contato com a Constituição Federal.

Eu diria que a disciplina mais “do Direito” seria, porém, Conceitos Jurídicos Fundamentais – em todas as outras faculdades essa disciplina se chama Introdução ao Estudo do Direito, sabe-se lá o porquê a minha resolveu inovar. É onde nós vamos ser, como já diz o próprio nome, introduzidos ao estudo jurídico. Nomenclaturas antes nunca vistas e o primeiro contato com a doutrina. É aqui que entra na sua vida Hans Kelsen, Miguel Reale, Paulo Nader, Bobbio e muitos outros carinhas às vezes um pouco complicados de entender – Kelsen taí para provar isso. Foi em Conceitos que eu tive contato com o meu primeiro caso, o clássico Caso dos Exploradores de Caverna – que se você tiver curiosidade, é um livro de autoria do Lon L. Fuller – onde o caso deveria ser apresentado em forma de júri simulado. O meu primeiro e inesquecível júri, onde fui membro da promotoria ao lado de duas grandes amigas. Por sinal, nós conseguimos a condenação dos réus e nota máxima no trabalho.

Tive uma cadeira de Linguagem e Produção Textual, que é… português. Uma espécie de revisão e preparação para o conhecimento da linguagem jurídica, mas nada muito técnico ainda, sabe? Também tive Ética e Pensamento Filosófico que não é nada além de Filosofia Geral e eu já falei dela lá em cima.

Quase esqueço de Teoria do Direito e Epistemologia Jurídica, que é uma disciplina que exige MUITA leitura. É trabalhada a construção científica do Direito, o conceito de justiça, a ciência do Direito como teoria de interpretação, noções de argumentação e a relação do Direito com as outras ciências. Eu tive contato com as obras do Ihering, do Beccaria, Rousseau e vários outros. Essa é uma disciplina que daria uma conversa de horas. Talvez seja a minha preferida do primeiro período, mas só talvez. ❤

De uma forma bem geral, eu acredito que seja um dos semestres – se não o semestre – mais teóricos do curso. Porque o contato com casos é mínimo e você tem quase nenhuma noção das leis. Isso talvez seja difícil para alguns que escolhem o curso achando que vão ter muitos casos para resolver assim, de cara, sabe? Às vezes alguns se desiludem ali mesmo e desistem. Eu vos digo, queridos: persistam! O melhor está por vir. ❤

A continuação vocês acompanham na segunda parte do post.