Fotografe um livro: #Caio Fernando Abreu de A a Z

Fiquei um pedacinho da tarde passeando pelo instagram e, depois de muito fuçar por aí, acabei na minha própria galeria. Se o costume de casa vai à praça, eu não sei. Mas que os vícios refletem nos nossos feeds, é um fato. Entre as até então 181 fotos, eu pude notar um hábito: fotografar livros.
Entre os modelos um se destaca, o queridinho “#Caio Fernando Abreu de A a Z“. 


Um livro todo moderninho: com a cara das redes sociais que nós tanto usamos e muito bem organizado. 

Resuminho básico. 

O maior propósito do livro é esse: reunir trechos que são de fato e de direito do Caio. Com a febre pseudo-literária de legendar fotos com trechos de livros/filmes/músicas sem checar a veracidade do autor (e muito menos conhecê-lo), virou comum não só postar fotos nada-a-ver-com-a-legenda-mas-achei-bonito-e-vou-colocar, mas também disseminar trechos de “autores desconhecidos” com a assinatura de grandes autores. Caio foi um dos grandes – se não o maior. Perdão, Mrs. Lispector – afetados pela liberdade de alterar e repassar informações erradas nessa terra sem dono que é a internet.

Por isso o livro nos presenteia com trechos separados por temas (Abandono, ausência, carinho, coração, encontro […]) e organizado em ordem alfabética, o que só o torna ainda melhor. 







O design do livro é bonitinho, se aproveita da vibe “Caio-na-rede” e traz os trechos em formas de publicações do Facebook.



O livro também possui ilustrações, uma do Caio – o que eu acho sensacional! -, outras que parecem ter sido retiradas daquelas páginas que sua tia curte no Facebook, aquelas que têm um texto de auto ajuda ou alguma indireta retirada do Pensador, com uma imagem aleatória achada no Tumblr. Tirando esse pequeno detalhe, está tudo lindo!



Acho o livro um presente certeiro se você tem um amigo que gosta do Caio e volume indispensável na sua estante se você gosta do que o nosso guri escrevia. É o tipo de livro que você mantém na cabeceira da sua cama e resolve abrir sempre que está sentindo demais. Não importa o quê. Aliás, você não precisa nem saber o quê. Só pegue-o. O resto vem. Como um barquinho na correnteza


O livro também serve para quem sempre teve interesse em conhecer as obras do Caio, talvez começar por ele seja um bom primeiro passo. Acho a escrita do Caio muito intensa, bastante pessoal e sem pudor. O que ele tem a dizer pode causar estranhamento de início – foi assim comigo. Ele não é só as aparentes frases clichês que a grande maioria conhece. Caio é mais, eu costumo dizer que ele é escancarado. Um homem que escrevia para viver, e que, segundo ele, antes de qualquer coisa era escritor. Um gaúcho que queria muito que alguém o amasse por alguma coisa que ele escreveu.
Se eu pudesse dizer qualquer coisa a ele, diria que ele conseguiu. E agradeceria pela companhia durante noites e noites de solidão, paranoia e compreensão. 


“Sem amor. Só a loucura.”